Segundo os dados recentes do Serasa, 79,1 milhões de pessoas no país estão inadimplentes, comprometendo a saúde mental dos brasileiros endividados.
O endividamento causa ansiedade, insônia e depressão, caracterizando-se como sofrimento psíquico. Além disso, afeta a produtividade e gera irritabilidade no ambiente de trabalho.
Também as dívidas interferem nas relações conjugais e familiares, porque elas aumentam o sentimento de impotência e criam obstáculos para enfrentar a situação.
Desse modo, o endividamento e a saúde mental revelam os sintomas de conflitos inconscientes. É uma forma como tratamos o dinheiro na vida adulta, que foi influenciada pela dinâmica familiar.
Por isso, existem as dívidas simbólicas, aquelas em que achamos que devemos aos nossos pais e à sociedade em termos de culpa e obrigação. Elas são tentativas de lidar com a insatisfação interior e dificuldades de relacionamento.
Mas as condições econômicas, como desemprego e diminuição da renda, criam um terreno fértil para o endividamento. Ademais, o endividamento excessivo está associado com a pressão para “manter aparências”.
Portanto, em vez de culpar apenas os endividados, precisamos considerar as falhas estruturais do sistema econômico, o qual persiste em manter a desigualdade social.
Em suma, o endividamento e a saúde mental têm que ser entendidos num contexto mais amplo, sem desconsiderar o apoio terapêutico que ajuda as pessoas a se relacionar com o dinheiro para evitar o endividamento crônico.
Jackson Buonocore
Sociólogo, psicanalista e escritor
buonocorejcb@gmail.com