Offline
A religiosidade neurótica
Publicado em 13/02/2026 21:42
Jackson Buonocore

A religião é uma expressão da necessidade humana de encontrar sentido na vida, mas também possui um potencial para alienação e manipulação. Ela pode ser analisada na perspectiva psicanalítica, que distingue entre religiões autoritárias e humanistas. 

As religiões autoritárias enfatizam a dependência de uma autoridade divina onipotente e de líderes religiosos, os quais promovem a subserviência e a resignação, levando à perda da sanidade e da cidadania.

Em geral, as religiões autoritárias estão conectadas ao fanatismo, propagadoras da intolerância contra aqueles que não compartilham a mesma fé. Além disso, o fanatismo incita ataques golpistas e perseguições ideológicas.

Sigmund Freud criticava a moralidade religiosa baseada na obediência a uma autoridade externa e não na responsabilidade individual, pois via como uma neurose obsessiva coletiva. 

Assim, os rituais religiosos estão ligados ao sentimento de culpa e como forma de lidar com os impulsos reprimidos. Portanto, a religiosidade neurótica busca o perdão e o alívio do remorso.

Por outro lado, as religiões humanistas desenvolvem valores espirituais pautados no amor, na liberdade e na justiça, oferecendo um propósito existencial. Isso ajuda a enfrentar a realidade, porque a fé é uma força positiva e geradora de conforto psíquico. 

Não há dúvida, as religiões humanistas são recursos importantes para a saúde mental, contudo, as religiões autoritárias transformam os fiéis em duas categorias: neuróticos obsessivos e fanáticos religiosos. 

 

 

Jackson Buonocore

Sociólogo, psicanalista e escritor

buonocorejcb@gmail.com

 

Comentários